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Curso Massagem Hospitalar - Instituto de Infectologia Emílio Ribas

  • Foto do escritor: Renata Alvarenga
    Renata Alvarenga
  • 23 de jun. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 18 de nov. de 2020

Exatos um mês e dois dias e eu ainda estava tentando assimilar tudo que aconteceu nos últimos dias. Tudo que passei com minha mãe foi muito intenso e doloroso para mim. Estava na fase do luto: Negação! Acredito que ainda continuo nesta fase! Bom, pensei em desistir do curso pois não queria estar novamente em um ambiente hospitalar, poderia fazê-lo mais para frente. Certa noite tive um sonho com minha mãe, não me recordo muito dos fatos,só me lembro que acordei com a palavra: VAI!

Lá fui eu para São Paulo. Estava apreensiva, mas era um curso que eu queria muito fazer. O primeiro dia, logo que entrei na sala de reunião avistei a Rosana! Meu Deus! Era ela mesmo! Estava empolgada para aprender. Conheci muitas profissionais da área da saúde (Tamar, Meg,Elaine,Mirian,Marina,Ana,Renata,Roseli,Marisa, Bruna, Kellen e Regina), com histórias semelhantes a minha. Percebi que talvez tudo isso que passei com minha mãe, era para minha evolução, para encontrar o meu propósito. As vezes não entendo os mecanismos que Deus utiliza para nos mostrar isso, parece não fazer sentido.

Tive o enorme prazer de conhecer a médica Infectologista e Paliativista Glória Brunetti. Que mulher incrível e humana! Ela abraçou junto com Rosana o projeto Mãos que Cuidam do Emílio Ribas. Uma médica nos ensinando e mostrando que é possível sim existir humanização nos atendimentos.


Dra. Glória Brunetti e Rosana Ades

Não conhecia ainda o Hospital Emílio Ribas e fiquei muito surpresa, pois tinha uma outra visão do SUS. Que hospital acolhedor e organizado. O trabalho do voluntariado é algo sério, pioneiro e referência na área da saúde e desde 2004 presta apoio humanitário aos pacientes e familiares.


A primeira coisa que fizemos ao chegar no hospital foi nos dividirmos em turmas e separarmos os pacientes que iriamos atender. Fiquei na turma da Marina e da Sheila, voluntárias do projeto,que nos acompanhavam em cada quarto com muito amor,carinho e paciência. Achei incrível que alguns médicos deixavam a massagem como recomendação para alguns pacientes.

Antes de entrar no quarto seguíamos todo o protocolo de biossegurança (higienização das mãos e equipamentos de proteção individual necessários).A primeira pessoa que atendi era um jovem portador de HIV. Logo que entrei no quarto, ele olhou para mim com um sorriso e disse: Ai! Graças a Deus você chegou! Estou com muita dor nas costas e não consigo dormir. Iniciei o toque, a massagem de conforto, em menos de 3 minutos ele dormiu! Enquanto fazia a massagem, um coral parou no corredor e começou a cantar músicas religiosas e não tinha como não me emocionar. Minhas lágrimas serviam como veículo para a massagem. Eu estava fazendo a diferença na vida de alguém! Logo que terminei a massagem, a mãe do paciente me abraçou emocionada e disse: Obrigada! Ele estava muito agitado e não dormia, e nós também não! Engoli o choro e me despedi.

Atendi alguns pacientes, enfermeiras e colaboradores. Me emocionei, chorei e sorri. A minha maior emoção e o que mais me marcou, foi atender um bebê de 1 ano, que estava em isolamento junto com a mãe. Ao entrar no quarto, o bebê ficou desconfiado e agarrou a mãe pois eu estava parecendo uma astronauta. Acredito que ao me ver com toda aquela vestimenta ele pensou que seria algum procedimento que iria lhe trazer desconforto. A mãe estava muito triste, pois não tinha ninguém para conversar. Ficamos então conversando e comecei a massageá-la. Como ele percebeu que a mãe estava gostando da massagem, começou a se soltar. Toquei em seus pés tão miúdos e comecei a cantar enquanto o massageava. Cantarolei a música do Porquinho, da Xuxa, na qual minha filha e meus sobrinhos adoravam quando eram pequenos. E não é que consegui ganhar um sorriso! Este sorriso valeu meu dia!

Este curso foi muito especial para mim! Conheci pessoas incríveis, em especial a carioca Mari Pace, professora de educação física.Sabe aquela energia que bate? Até nos aventuramos por Sampa atrás de uma cerveja gelada e comida e ainda ganhei massagem nas costas! Nos falamos sempre, e não vejo a hora desta pandemia passar para poder encontrá-la no Rio.


Enfim, tomei a decisão certa! Me senti realizada com tanto aprendizado. Se algum profissional da saúde estiver lendo, precisa conhecer o curso! Faça! Vale cada segundo. Reafirmou que estou no caminho certo, que precisamos de atendimento humanizado, precisamos de mais médicos como Glória e que não podemos esquecer dos que sofrem.

Cada toque, cada palavra, cada gesto, cada olhar! Foi enriquecedor para alma!

Minha gratidão a Rosana, a Glória, a toda equipe de voluntariado e ao hospital Emílio Ribas! Não vejo a hora de voltar!


 
 
 

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